DA PALAVRA AO GESTO: É MASSA
- FREDERICO SPENCER

- há 1 dia
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Já me perguntaram diversas vezes: como se deu essa mudança? Como é passar a escrever histórias para as crianças? Uma resposta martela na minha cabeça!
Sou aquele que acredita no poder das palavras e da imaginação. Nasci na Cidade do Recife, entre os rios e o mar, cresci entre livros, histórias e silêncio – esse lugar onde a criação aporta antes de nascer. Sempre fui encantado com a forma como as crianças pensam o mundo; elas reinventam tudo com a ponta dos dedos, com muita curiosidade e coragem constroem universos com quase nada.
É Massa! Nasceu exatamente desse olhar. Ao escrever este livro, reencontrei a alegria de brincar, de modelar o pensamento, de transformar gesto em poesia, igual às crianças quando brincam. A massinha, tão pequena, tão simples, tornou-se minha narradora e companheira, me levando de volta à infância e ao desejo de criar histórias que despertam sensações, movimentos e descobertas.
Passei a escrever literatura infantojuvenil porque acredito que a leitura pode abrir espaço no mundo lúdico das crianças para que experimentem seu entorno de forma mais livre, criativa e sensível. E sigo assim, entre versos, cores e afetos, moldando palavras como quem amassa a vida para que ela tome novas formas.
Foi assim, imaginando, que surgiu um diálogo entre a massinha e eu, por onde nasceu este livro e passo aqui ao relato sobre nosso trabalho em conjunto:
“Nasci do encontro entre cor, poesia e imaginação. Fui ganhando vida nas mãos de Frederico Spencer, que me moldou não apenas como massinha, mas como voz – essa voz brincante que conversa com quem me lê. Sou feita de memória afetiva, da infância que ele carrega consigo e da vontade de ensinar, criando, tocando, sentindo.
Com ele aprendi que posso ser casa, árvore, carro, um ovo e que mesmo sem forma fixa, posso formar mundos. Frederico, meu autor e companheiro de aventuras, é um inventor de histórias que transforma o simples em encanto. Colecionador de palavras, poeta do cotidiano, ele me deu existência para que eu pudesse falar diretamente com as crianças, convidando-as para brincar comigo e descobrir o que nasce entre os dedos, cores e sonhos.
Hoje vivo entre páginas, risos e pequenos artistas. Sou a prova de que tudo começa com um gesto: apertar, amassar, imaginar. E sigo assim, prontinha para ser o que cada criança quiser, porque, com Frederico, aprendi que brincar também é um jeito bonito de aprender e existir.”
Com este relato aprendi que minha trajetória sempre foi atravessada pelas palavras, pelos afetos e pela invenção de mundos. Desde cedo descobri na literatura um modo de respirar e, na educação, um caminho para compartilhar o que a imaginação pode transformar. Aprendi também o que nasce do gesto, no traço, no corpo que experimenta, isso me acompanha quando escrevo para crianças, acreditando que a criação é uma forma de cuidar, vejo também a força que uma história tem para abrir portas internas. É por isto que minhas narrativas buscam tocar, provocar, convidar ao movimento.




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